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Segunda-feira, Dezembro 31, 2007



os homens da minha vida


carta aqui deixada por Corpos e almas

Gilberto Bomfim


hoje apetece-me recordar os homens da minha vida
aqueles que por mim passaram e ficaram
hoje apetece-me recordar os amigos, os amantes
os beijos e os abraços, o sexo desenfreado
as palavras e os olhares, o desejo a latejar
hoje apetece-me recordar momentos e sentimentos
os sorrisos e as lágrimas, misturados algumas vezes
a conquista do prazer, por vezes adiada
hoje apetece-me recordar os homens da minha vida
que nos últimos anos estiveram ao meu lado
que me coloriram o corpo e a imaginação
que me fizeram sentir desejada e amada
que me secaram as lágrimas da alma
que me desesperaram, também...
hoje recordo os olhares e os toques
as noites de mãos dadas a conversar
a loucura do desejo e dos jogos proibidos
as promessas de prazer que ficaram por cumprir
os sms loucos a meio da noite e aqueles que nunca chegaram...
hoje recordo o quanto amei e desejei estes homens
que um dia chegaram à minha vida e nunca dela saíram...

Feliz 2008 para todos os que por aqui passam:-)

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Segunda-feira, Outubro 15, 2007



amor e desejo


carta aqui deixada por Corpos e almas



queria saber escrever o quanto te quero, o quanto te desejo
queria mostrar em palavras a vontade que o meu corpo tem do teu

mas não consigo...

não consigo que entendas que o corpo é um complemento da alma e que, quando duas pessoas se entregam por amor, precisam do contacto físico, têm necessidade de realizar esse sentimento

tu próprio o sabes...

tantas vezes me desejaste, enlouqueceste de vontade de me ter... mas nunca tiveste a coragem de o fazer...

um passo, tão simples, tão breve... o de tocares o meu corpo com o teu...

falta algo tão banal como um olhar, como uma carícia na face, como um toque de mãos...

e mesmo assim... amo-te tanto, mas tanto...

por vezes caem-me lágrimas ao imaginar o carinho que teria nos teus braços, ao sentir que seria tão tua... e tu tão meu...

amo-te

mesmo sem o delírio da paixão
mesmo sem o calor dos corpos

Publicado aqui, em 3 de Dezembro de 2004

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Domingo, Julho 15, 2007



uma carta


carta aqui deixada por Corpos e almas

maurizio mauri


hoje resolvi escrever-te uma carta, não te vou escrever um poema
vou falar-te dos homens na minha vida, daqueles que não são como tu
estes gostam de sexo, gostam do meu corpo, gostam do prazer que lhes dou
tu também gostavas, também me desejavas...
mas abriste mão desses momentos de paixão que sentimos
as minhas estavam fechadas, apertadas, com medo que escorresses entre os meus dedos!
mesmo assim, não te consegui segurar...
fui tua, tão tua que nem podes imaginar!
a ti me entreguei, em ti me perdi, em ti vivi de sonhos
agora já não sou assim, agora já não me entrego
dou o meu corpo em troca de sensações
recebo desejo em troca de ilusões
e eles gostam...
imaginam que me conquistam, mas a conquista é minha
são um brinquedo nas minhas noites, perdem o interesse quando passa a novidade
eles pensam que o brinquedo sou eu...
palavras que pronuncio, gestos que exibo, olhares que desafio
provoco-os, seduzo-os, uso-os...
sem sentimentos, para além do bem estar, do prazer
a eles, não digo que amo... meu amor...

Publicado aqui a 26 de Janeiro de 2005

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Sexta-feira, Maio 25, 2007



Gosto de amoras frescas...


carta aqui deixada por veneno

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Quinta-feira, Maio 17, 2007



Navegar


carta aqui deixada por efe




Lembras-te, Francisco? Lembras-te de quando reuníamos a trupe de vizinhos dos Montes da Areia e da Rua da Aldeia e, cavalgando e empunhando paus de vassoura - cavalo e espada - percorríamos em formação de combate o rossio de S. João tentando desmontar o inimigo? E de quando disputávamos o campeonato nacional de hóquei, com patins e tacos de fabrico artesanal, sem nunca sair da aldeia, sem treinadores nem repórteres?
E lembras-te das viagens feitas na carcaça do velho Peugeot, de pé sobre os bancos porque as pulgas e os eventuais percevejos nos assustavam um pouco?
E as travessias oceânicas numa caixa de madeira de metro e meio por noventa, desde o cais até à Ponta da Piedade? Lembras-te disso?
E como era gratificante pular de barco em barco, no rio, ou no cais quando chegavam as enviadas com sardinha e carapau. Que navegações magníficas fazíamos nesses tempos.
Mas era nos barcos varados no braço de rio, no acesso ao estaleiro, que viajávamos em paquetes que num só dia iam e vinham aos fiordes noruegueses, engajavam a maltezaria de Lagos em tripulações de piratas das Caraíbas, redescobríamos as costas de África, o Brasil e a Índia. Era nesses velhos gazolinos, traineiras e lanchas de cores desbotadas, com tabuados podres e odores suspeitos que a puta da imaginação não conhecia limites.
Por vezes, a tripulação amotinava-se e dividia-se deixando a bordo da nau encalhada os mais obstinados, ou musculosos, enquanto outra facção abandonava o navio e recolhia-se ao interior de um caduco depósito de água, de traineira, e o filme mudava para as aventuras submarinas do Capitão Nemo ou do U-399. Desde que a escotilha superior funcionasse até o transformávamos em tanque Panzer, quando o mar já não apelava. E os almoços esquecidos – que isto de andar em guerras e aventuras esforçadas tira a fome – garantiam ralhetes à chegada ao aquartelamento. Mas era assim mesmo. Tínhamos que navegar muito, ou nunca seríamos dignos herdeiros das tradições dos que dobraram o Bojador e o Boa Esperança, chegaram à Índia e atravessaram o mar imenso para dizer ao rei que os franceses já tinham partido.
Hoje, são iates que lá estão na novel Marina. Limpinhos, lustrosos e cheios de mariquices high-tech. Desconfio que mesmo quando saem para o mar, não navegam nada.
E tu, Francisco, continuas a navegar? Remendaste as tábuas partidas dos teus sentimentos e deixas que a imaginação ainda te emocione? Por onde voas agora no velho hidroavião Catalina que sempre sonhaste pilotar? Eu sei que navegas. E quem navega, ou parte à descoberta do mundo e encontra partes de si, ou parte à descoberta de si e encontra o mundo.
Não fundeies o navio ou o hidroavião, Francisco, não largues a âncora da imaginação. Navega, navega sempre!

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